PCS | Plataforma para o Crescimento Sustentável

Think tank que visa contribuir para a afirmação de um modelo de desenvolvimento sustentável, num quadro de ampla participação nacional e internacional

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desafio 5 - Conhecimento

Apostar no retorno económico da ciência e na internacionalização do ensino superior

Desde o final da década de 80 do século XX que Portugal tem vindo a fazer um esforço significativo de investimento público em I&D, de apoio à formação avançada de recursos humanos e de constituição de equipas de investigação. Apesar desse esforço, o desempenho nacional, quando comparado com outros Estados-Membros da União Europeia, é ainda insuficiente tanto ao nível da qualificação dos portugueses, como dos padrões de investigação e de inovação. Mais do que de um baixo investimento em I&D, os nossos problemas nascem da ineficiência desse investimento e do desequilíbrio da sua composição (preponderantemente público, com baixo investimento privado).

Mais do que aleatoriedade ou voluntarismo, o país precisa de apostar no investimento privado em I&D, de assegurar a reprodutividade do investimento público e de ser eficiente no acesso a fontes internacionais e comunitárias de financiamento direto. Não basta exibir um suposto aumento do financiamento público. O que é verdadeiramente importante são os resultados que se alcançam com o financiamento. Por cada novo euro investido em I&D, temos de ser capazes de publicar mais artigos científicos, de registar mais patentes, de celebrar novos contratos de transferência de conhecimento, de criar novos produtos e novas empresas de base tecnológica.

É verdade que, em Portugal, já temos alguns exemplos de excelência na área da ciência: cientistas de elevadíssima qualidade e de prestígio internacional, instituições consideradas de excelência na investigação e algumas bem sucedidas parcerias universidade-empresa de que resultaram inovação e reforço da competitividade. Mas precisamos de fazer mais em matéria de I&D e, sobretudo, temos de fazer melhor. Muito do que seremos, nas próximas décadas, enquanto povo e enquanto nação, dependerá do esforço que fizermos na área da ciência e do conhecimento e da nossa capacidade em traduzirmos os resultados da investigação em valor económico e social e em criação de emprego.

Os nossos desafios devem ser enquadrados no contexto europeu. Os desempregados na União Europeia (UE) correspondem em média a 11,3% da população ativa o que configura uma situação que tem consequências graves para o crescimento e para os sistemas de segurança social na Europa. Portugal atinge neste momento um valor superior a 15% de desempregados, sendo que cerca de 25% são jovens, em geral licenciados. Por outro lado, alguns empresários queixam-se da dificuldade em recrutarem os perfis que pretendem, sobretudo para postos altamente qualificados. Estima-se que poderá mesmo estar a verificar-se, na UE, uma falta de mão de obra em certas áreas como as tecnologias da informação e comunicação (TIC) ou a saúde, esperando-se um défice de 700.000 especialistas em TIC, até 2015, e de um milhão de investigadores, até 2025.

Para superar estes desafios e aumentar para 75% a taxa de emprego na UE até 2020, a Comissão Europeia lançou uma iniciativa emblemática: a Agenda para Novas Competências e Empregos. Esta iniciativa identifica treze ações prioritárias com o objetivo de reformar os mercados de trabalho, atualizar as competências e adequá-las à procura de mão de obra, com vista a reforçar a empregabilidade, facilitar a mobilidade profissional, melhorar as condições de trabalho e a qualidade dos empregos e criar postos de trabalho.

Fixa, igualmente, os objetivos da UE em matéria de redução do abandono escolar precoce para menos de 10% e de aumento do número de jovens no ensino superior ou num curso profissional equivalente para, no mínimo, 40%.

Se quiser superar a crise económica num horizonte mais alargado, tal como considera o Banco Mundial, a Europa tem de, por um lado, assumir a liderança em setores críticos para o crescimento tais como a biotecnologia, as tecnologias da informação, as energias renováveis, e de, por outro lado, alterar o modelo de financiamento universitário.

O atual modelo de financiamento universitário, assente quase em exclusividade em financiamento público, sendo um sinal de fechamento, é uma das causas da falta de incorporação das preocupações da sociedade no desenho da investigação e da falta de impacto da investigação no setor empresarial.

Por outro lado, não nos podemos alhear do novo posicionamento das economias emergentes (não OCDE). Estes países continuam a aumentar o investimento em Investigação, Desenvolvimento e Inovação (I+D+I). A China apresenta neste momento um gasto equivalente a 13,1% (5,5% em 2001) dos países da OCDE. A Federação Russa 2,2% do total dos países da OCDE. O crescimento em qualificações e conhecimento destes países criam novas oportunidades de colaboração e internacionalização do ensino superior que é preciso saber explorar.

Neste contexto, nacional e internacional, defendemos as seguintes orientações estratégicas e recomendações:

  • Incentivar a criação de riqueza baseada em I+D+I
  • Aproximar o sistema científico do tecido produtivo
  • Reorganizar a rede do ensino superior
  • Reforçar a autonomia e os meios de governação das Universidades e Politécnicos
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RELATÓRIO PARA O CRESCIMENTO SUSTENTÁVEL

Consulte o "Relatório para o Crescimento Sustentável: uma visão pós-troika".

Download do Relatório (PDF 1.3Mb)

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