PCS | Plataforma para o Crescimento Sustentável

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desafio 13 - Competitividade

Assumir a Sociedade da Informação e a infraestrutura de comunicações como essenciais para o aumento da competitividade e da internacionalização Sustentabilidade

A Sociedade da Informação é hoje um domínio central da sociedade moderna e assume vários contextos de influência estratégica e operacional, com um papel chave na competitividade do país.

Como plataforma integradora dos atores sociais, e mobilizadora de novas redes ativas de conhecimento, a Sociedade da Informação gera todo um novo contexto de aquisição de capacidades, de desenvolvimento de competências e de participação aberta por parte doscidadãos e empresas, promovendo a partilha e a inteligência coletiva entre os diferentes atores económicos e sociais.

A sua evolução permite assim atingir uma nova dimensão de inovação aberta, centrada na procura de soluções mais competitivas, a partir do compromisso entre as ideias e a tecnologia, e da articulação e gestão em rede dos diversos setores (saúde, educação, segurança, “terceiro setor”) e das diferentes entidades (Estado, universidades, empresas), em processos sustentados de geração de valor.

Permite também uma maior colaboração internacional entre pólos de conhecimento e dinâmicas de inserção empresarial, fundamental para a internacionalização bem sucedida das empresas e know-how nacionais. 

Como operador de tendências e de soluções multidimensionais, que permitem responder às novas dinâmicas sociais e económicas, a Sociedade da Informação é também basilar na promoção e monitorização da transparência, fator crítico para um maior capital de confiança na sociedade, e na qualificação adicional dos novos centros de cooperação social, desde a escola às diferentes ONG.

A importância da Sociedade da Informação para a competitividade de um país está patente nos indicadores, à escala global, de forte crescimento e impacto económico de áreas estratégicas que esta tem proporcionado – como a Administração Pública Eletrónica (eGovernment) e o Comércio e Negócio Eletrónico (eCommerce e eBusiness) – e da sua contínua evolução que abre hoje novas tendências com elevado potencial de produtividade e eficiência – como o Cloud Computing (computação em nuvem) [1]e a promoção de Open Data (dados abertos) [2]:

  • O impacto da Internet no PIB foi já calculado em cerca de 3,8% do PIB da União Europeia, o qual se prevê que aumente para 5,7% em 2016 (BCG Report, 2012);
  • Em Portugal, de acordo com a Associação de Comércio Eletrónico e Publicidade Interativa (ACEPI), estima-se que a economia digital possa valer atualmente cerca de 3,5% do PIB;
  • Em países como a Suécia, a Dinamarca e Israel, o impacto da Internet na economia supera os 6% do PIB;
  • O desenvolvimento do comércio eletrónico tem tido um papel chave no crescimento da economia digital no Reino Unido, que lidera o ranking internacional com a Internet a representar 8,3% do PIB (BCG Report, 2010) e o comércio eletrónico a representar 3,6% do PIB;
  • Em termos gerais, estima-se que o cloud computing gere entre 0,1% a 0,4% do PIB da UE e que, havendo uma aposta estratégica na sua implementação generalizada, possa contribuir com 250 mil milhões de euros para o PIB da União Europeia em 2020 e com a criação de 3,8 milhões de empregos (IDC Report, 2012);
  • As PME que utilizam amplamente as novas tecnologias exportam duas vezes mais do que as outras empresas, crescendo duas vezes mais em termos de criação de emprego e aumentando a produtividade em cerca de 10%[3];
  • Na União Europeia, estima-se que a promoção de dados abertos (open data) poderá originar lucros de 140 a 180 mil milhões de euros por ano, uma vez que irá permitir às empresas desenvolver novas aplicações e serviços com base nesta informação pública.

De acordo com o último relatório sobre a Competitividade Digital da Europa, publicado em 2010, Portugal apresentava para algumas áreas, valores superiores aos da média da UE, nomeadamente em indicadores de eBusiness (2.ª posição da UE na partilha eletrónica de informação com clientes/fornecedores na gestão da cadeia de valor, como prática de 31% das empresas contra 15% de média UE) e de eGovernment (líder na UE com 100% dos serviços públicos básicos para empresas e para cidadãos completamente disponíveis online).

No entanto, no que respeita a aproveitar o potencial económico da Internet, nomeadamente através do eCommerce, Portugal situa-se bem abaixo da média europeia, situação que se vem mantendo, com apenas 24% da população a realizar comércio eletrónico em 2010 e apenas 53,7% das empresas a possuir página de internet em 2011 (INE, 2011).

Por outro lado, os sistemas de colaboração em nuvem estão a ganhar uma importância crescente entre as empresas portuguesas, não só devido às vantagens em termos de acessibilidade, mas também devido às economias em termos de investimento e de consumo que oferecem. O modelo de cloud computing requer menos investimentos em custos fixos, reduzindo as barreiras à entrada no mercado. Além disso, a eficiência energética é melhorada, pois os dados são alojados em centros otimizados.

A Sociedade da Informação é, assim, transversal a todos os setores e a aposta no seu desenvolvimento tem um papel-chave no novo modelo de crescimento sustentável, inteligente e competitivo que pretendemos para Portugal. 

Esse desenvolvimento, e o seu contributo para o crescimento nacional, está intrinsecamente ligado às tecnologias da informação e das comunicações (TIC), dependendo e, simultaneamente, influenciando, a evolução destas.

De facto, a história económica associa novos ciclos de crescimento a novas infraestruturas tecnológicas. Constituindo uma das principais fontes de transformações disruptivas na economia e na sociedade, as comunicações são atualmente uma infraestrutura essencial para a competitividade e para o crescimento sustentável.

Em Portugal, o setor das comunicações eletrónicas tem um peso na economia superior ao da maioria dos países Europeus[4]:

  • Receitas do setor em percentagem do PIB (4,5% contra 2,7% para a média UE15);
  • Investimento realizado (0,6% contra 0,4% para a média da UE15);
  • Contributo para o I&D nacional (26% do total de despesas empresariais em I&D contra 25% para a média UE);
  • Setor com maior percentagem de empresas inovadoras e com maior esforço de investimento em I&D (despesa em I&D por valor da produção). 

De uma forma geral, a competitividade da economia pode ser vista como a produtividade comparativa com outros países ou outras áreas económicas. Em termos económicos, a produtividade não é mais que a eficiência com que uma economia transforma os seus fatores de produção (horas de trabalho, matérias primas, produtos intermédios) em produtos e serviços. Os determinantes de longo prazo dessa produtividade são relativamente consensuais entre economistas, sendo essencialmente três: capital humano, capital físico e tecnologia (entendida de forma ampla).

Também consensual é o papel das falhas de mercado (assimetrias de informação) e das instituições (a garantia dos direitos de propriedade) na redução da produtividade alcançada para determinados níveis destes determinantes.

O contributo das comunicações eletrónicas para a competitividade do país dependerá, portanto, da sua capacidade para aumentar o capital humano ou capital físico disponíveis para a economia, para, através de melhorias de tecnologia, aumentar a rentabilidade destes capitais, ou para de outra forma contribuir para a eliminação de falhas de mercado e para a melhoria institucional.

Ainda de acordo com este racional de enquadramento, condição essencial para a efetivação desses impactos num aumento global e sustentável da competitividade nacional, é a sua igual efetivação no aumento da competitividade do próprio setor das comunicações.

O elevado investimento realizado permite, a Portugal, dispor de infraestruturas de comunicações entre as mais avançadas da Europa, tanto ao nível das redes fixas (com uma das mais altas percentagens de casas com acesso a redes de nova geração), como ao nível das redes móveis (onde os indicadores de cobertura, disponibilidade e velocidade de dados se encontram igualmente entre os mais elevados da Europa). Os recentes investimentos em redes de nova geração e os leilões LTE [5] (4ª geração móvel) vieram reforçar essa tendência.

Apesar dos indícios de uma progressiva convergência entre as comunicações fixas e móveis, é importante não perder de vista as diferenças que existem entre estas duas realidades, seja ao nível das capacidades, seja ao nível da estrutura económica e da estrutura e comportamento do mercado.

Ao nível da procura, Portugal apresenta valores globalmente inferiores à media europeia ao nível da utilização de serviços suportados por redes de comunicações pela generalidade das empresas exteriores ao setor das TIC, em particular, no segmento das PME.

Também no que diz respeito aos utilizadores individuais se encontra uma menor penetração de serviços avançados, muito por via do elevado custo relativo de acesso a terminais e, principalmente, da baixa literacia de grandes camadas da população.

No mundo empresarial, por seu lado, verifica-se uma situação fortemente dual, na qual um número crescente de empresas com um forte índice de sofisticação tecnológica e utilização de serviços avançados coexiste com um ainda bastante elevado número de empresas com níveis de incorporação tecnológica bastante baixos. 

Neste contexto defendemos as seguintes orientações estratégicas e recomendações:

  • Definir e difundir uma nova agenda para a Sociedade da Informação
  • Colmatar as lacunas e assimetrias regionais de acesso que subsistem
  • Assegurar as condições necessárias ao desenvolvimento de um mercado, dinâmico e relevante
  • Remover as barreiras à efetiva adoção, utilização e apropriação do valor das comunicações por parte dos utilizadores finais


[1] Utilização de capacidades de armazenamento e cálculo de computadores e servidores compartilhados e interligados por meio da internet.

[2] Disponibilização generalizada e de acesso livre de dados da Administração Pública.

[3] Estudo da McKinsey Global Institute publicado em maio de 2011.

[4] De acordo com dados divulgados em 2010 pela Autoridade da Concorrência  e pela Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM) e indicadores do INE e Eurostat.

[5] Tecnologia “Long Term Evolution” ou tecnologia de 4.ª geração móvel (também conhecida como 4G)
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Consulte o "Relatório para o Crescimento Sustentável: uma visão pós-troika".

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