PCS | Plataforma para o Crescimento Sustentável

Think tank que visa contribuir para a afirmação de um modelo de desenvolvimento sustentável, num quadro de ampla participação nacional e internacional

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desafio 10 - Competitividade

Criar uma nova carteira de atividades e reforçar a competitividade global das empresas

De acordo com o mais recente Global Competitiveness Index do Fórum Económico Mundial (2012-2013), Portugal está na posição 49 de um total de 144 países (2º quartil).

Portugal está bem posicionado ao nível do pilar das Infraestruturas (24), Preparação tecnológica (28) e Inovação (31) mas mal posicionado a nível de Produtividade laboral (123) e Ambiente macroeconómico (116).

A análise das competências da economia portuguesa, suportada no diagnóstico quantitativo e qualitativo de organizações nacionais e internacionais, aponta para um conjunto de problemas que urge resolver.

Em primeiro lugar, apresentamos um nível baixo de desenvolvimento económico.

O PIB per capita português é claramente inferior à média europeia (com uma percentagem de 74% na comparação com a média dos 27 países da Zona Euro em 2010 – OCDE) e o peso do Estado na economia é muito elevado (cerca de 50%). Os investimentos públicos e privados em áreas de maior tecnologia e inovação são diminutos.

Em segundo lugar, padecemos de baixa produtividade do trabalho: Portugal apresenta índices de produtividade do trabalho, na generalidade da economia, inferiores aos da média europeia (64,4% da Zona Euro em 2010 – OCDE), como resultado de diversos fatores, entre outros:

  • Baixo teor tecnológico e baixa incorporação de capital e mão de obra pouco especializada (emprego em atividades de conhecimento-intensivo é de 27,9% (vs 35,1% na UE) em 2009;
  • Relutância à adoção de novas tecnologias, e a dificuldade de incorporação destas na atividade económica;
  • Cultura de direitos enraizada, sem contrapartidas proporcionais do lado dos deveres;
  • Qualidade insuficiente ao nível dos empresários das práticas de gestão, em resultado de: formação débil de muitos empresários portugueses, nomeadamente, em áreas fundamentais como a liderança e a visão estratégica, com ausência de perspetiva de longo prazo, e dificuldade de leitura e interpretação dos novos sinais da economia; “insularidade” psicológica, em que gestores e empresários muitas vezes assumem pouca ambição e justificam fracos resultados com o fato de Portugal ser uma “pequena economia na ponta da Europa”; cultura empresarial portuguesa com uma conceção paternalista do papel do Estado e da sua intervenção na economia; 
  • Por outro lado, ao nível dos trabalhadores, podemos referir fragilidades em: educação formal baixa e muitas vezes inadequada, com dificuldade em desenvolver atividades que envolvam a análise e o raciocínio crítico; nível de formação laboral específica baixo; flexibilidade reduzida na reconversão das competências, quando os requisitos de mercado mudam. 

Em terceiro lugar, a falta de escala e de focalização na política industrial. O mercado interno é muito pequeno. As empresas não conseguem obter dimensão suficiente apenas no mercado nacional para lhes proporcionar uma capacidade financeira e de recursos para serem competitivas a nível internacional. As formas de ultrapassar o problema de falta de escala incluem o associativismo e a criação de clusters. Contudo, há um baixo nível de associativismo, essencialmente por razões culturais, e existem poucos clusters e pouco focados em atividades de elevado valor acrescentado. Os clusters potenciam o reconhecimento internacional das nossas atividades produtoras e da qualificação da mão de obra. A ausência de clusters fortes tem dificultado a atração de investimento estrangeiro. Quando tudo é prioritário, nada é prioritário. Portugal tem de tirar partido das suas vantagens comparativas e apoiar prioritariamente as atividades de maior sustentabilidade, produtividade e competitividade.

Em quarto lugar, apesar da excelente evolução no último ano, as exportações ainda são um fraco contribuinte para o PIB: Portugal tem um nível de exportações/PIB inferior à média europeia. O maior investimento em setores de atividade não transacionáveis prejudicaram o crescimento dos setores transacionáveis, reduzindo o potencial das exportações. Para além disso, existem poucas empresas em Portugal com um volume de exportações significativo (pouco mais de uma centena de empresas representam cerca de metade das exportações portuguesas). Numa pequena economia aberta como a nossa, as exportações são chave para o crescimento da economia. Contudo, a elevada valorização atual do Euro, longe da sua cotação “potencial” ou real, limita a competitividade das nossas empresas exportadoras e favorece as importações de empresas de economias não Euro.

Em quinto lugar, as empresas nacionais têm geralmente dificuldade de acesso a grandes redes de distribuição a nível internacional, como veículo para as ajudar nas suas exportações ou processos de internacionalização. A nível europeu, essa questão é agravada pelo fato de Portugal estar na ponta da Europa e os custos de transporte serem elevados.

Em sexto lugar, as dificuldades de acesso a financiamento: a dívida externa elevada e a elevada dívida da generalidade das empresas, bancos, entidades estatais e particulares, agravada pela atual crise financeira, tem limitado o acesso ao financiamento, via crédito ou capitais próprios, seja para fundo de maneio ou investimento de empresas.

Acresce a esta situação, a dificuldade em recorrer a seguros de crédito por muitas empresas. Finalmente, as dificuldades processuais e menos boa divulgação dos fundos de apoio, em conjunto com a necessidade de fundos para comparticipação dos investimentos tem levado a um aproveitamento de fundos de apoio (ex., QREN) abaixo do possível.

Em sétimo lugar, a capacidade de inovação das empresas, tanto no plano tecnológico como no dos processos, é ainda limitada. Ainda que bem posicionado ao nível da atividade de investigação, Portugal continua mal posicionado na obtenção de resultados dessa investigação no mundo empresarial. A atividade e o número de doutorados e outputs de investigadores está ao nível da média da UE e o gasto em I&D tem crescido essencialmente via investimento público (atingindo 82,7% da média da UE). Contudo, a aplicação prática nas empresas ainda é claramente inferior à média da UE (por ex.: Portugal tem um rácio de candidaturas a patentes PCT de 0,53 por € mil milhões de PIB vs 4,0 da UE), o que em parte resulta duma ligação Universidades-Empresas ainda pouco explorada e de um baixo nível de empreendedorismo em atividades inovadoras. Muitas empresas têm conhecimento limitado do I&D que se faz no seu setor e não procuram Universidades e Institutos de I&D para promover dentro das suas empresas a inovação, e vice-versa. O acesso ao financiamento a empreendedores é diminuto em Portugal, pois embora os montantes de investimentos recentes de private equity em Portugal estejam ao nível da média europeia, o venture capital é claramente inferior e muito suportado por entidades estatais ou bancárias, limitando o desenvolvimento de start-up inovadoras. Não existe, por outro lado, uma cultura de inovação e empreendedorismo desde a formação básica.

Em oitavo lugar, a burocracia na administração pública, a lentidão do sistema judiciale a sinuosidade e incongruência do ordenamento do território representam elevados custos de contexto. A lentidão e a falta de qualidade de muitas decisões naquelas áreas traduzem um consumo ineficiente de recursos do Estado, geram sentimentos de injustiça, penalizam a competitividade da economia e distorcem a concorrência.

Em nono lugar, o atraso nos pagamentos da quase totalidade das entidades estatais aos seus fornecedores tem um impacto muito prejudicial no aumento das necessidades de fundo de maneio das empresas, na incerteza na gestão das mesmas, agravado pela enorme dificuldade atual de obtenção de crédito pelas empresas. 

Neste contexto, defendemos as seguintes orientações estratégicas e recomendações:

  • Definir uma nova política industrial capaz de modernizar o atual tecido produtivo
  • Dinamizar o comércio de rua e promover a articulação entre as grandes superfícies e as PME
  • Promover a reabilitação urbana como alavanca de desenvolvimento económico
  • Diversificar, diferenciar e qualificar a oferta turística
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RELATÓRIO PARA O CRESCIMENTO SUSTENTÁVEL

Consulte o "Relatório para o Crescimento Sustentável: uma visão pós-troika".

Download do Relatório (PDF 1.3Mb)

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